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Rondônia: Cenas de política explícita

Enviado por paulo em Ter, 2006-08-15 19:36.

Dr. Carlos Walter Porto-Gonçalves (1)

Houve uma época no Brasil em que se dizia que a questão social era uma questão de polícia. Ainda hoje não são poucos os que ainda pensam assim, vendo em cada conflito social uma ameaça à ordem constituída e vendo na polícia a sua solução. Ou, pior ainda, existem aqueles que não vendo como controlar os dissidentes ainda sonham com os generais. Sabemos que são profundas as raízes autoritárias na sociedade brasileira, raízes essas que remontam ao período colonial onde cada fidalgo que recebia a doação de terras estava investido de uma prerrogativa militar de efetivar, pelo sucesso da sua atividade econômica, o domínio territorial para Portugal. Os portugueses sabiam que a conquista do território não podia ser feita com recursos públicos e para garantir a ocupação fez concessões aos senhores de cabedal, entenda-se de capital, que quisessem enriquecer na terra brasilis. Muitos se tornaram então, brasileiros, isto é, aqueles que vivem de explorar o Brasil(2). Somente uma visão da história com um forte viés economicista deixou de ver que o objetivo de conquistar o território era o que comandava as concessões de terras. Quando se fez o primeiro ordenamento territorial nessas terras dividindo-o em Capitanias Hereditárias, já ali estava inscrito o duplo caráter militar e econômico. Afinal, capitania é coisa de capitão. Além disso, acrescente-se, só os filhos de alguém, ou seja, os fidalgos (3) é que recebiam as doações de terras e, assim, desde o início, o poder público se tornava algo privado. Isso hoje tem o nome pomposo de parceria, privatização e flexibilização, mas na verdade trata-se de uma prática tradicional e, mais que isso, conservadora. No Brasil estas práticas estão na raiz daquilo que se chama “lógica do favor” que é a negação da “lógica do direito”.

Teoria da deriva

Enviado por paulo em Sex, 2006-06-02 14:00.

Texto publicado no nº 2 da revista Internacional Situacionista em dezembro de 1958.

É o texto Teoria da Deriva do Guy Debord traduzido para o português por um coletivo chamado Gunh Anopetil. É uma contribuição já que é muito pouca a quantidade de materiais situacionistas em português.

Entre os diversos procedimentos situacionistas, a deriva se apresenta como uma técnica ininterrupta através de diversos ambientes. O conceito de deriva está ligado indissoluvelmente ao reconhecimento de efeitos da natureza psicogeográfica, e à afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que se opõe em todos os aspectos às noções clássicas de viagem e passeio.

Uma ou várias pessoas que se lançam à deriva renunciam, durante um tempo mais ou menos longo, os motivos para deslocar-se ou atuar normalmente em suas relações, trabalhos e entretenimentos próprios de si, para deixar-se levar pelas solicitações do terreno e os encontros que a ele corresponde. A parte aleatória é menos determinante do que se crê: no ponto de vista da deriva, existe um relevo psicogeográfico nas cidades, com correntes constantes, pontos fixos e multidões que fazem de difícil acesso à saída de certas zonas.

Morrer na Indonésia (Le Monde Diplomatique)

Enviado por paulo em Qua, 2006-05-31 17:47.

Não foi o tremor de terra – mas pobreza e desigualdade – o fator que determinou a morte de 5 mil pessoas, após o terremoto em Java. Para assegurar o direito à vida, em situações como esta, há uma alternativa muito concreta

Cimento dos pobres. Este é o nome que se dá, na Região Especial de Yogyakarta, ilha de Java, à argamassa usada para erguer a maior parte das construções. A mistura é rica em areia – abundante e grátis, na ilha – mas raquítica em cimento. Seria uma temeridade, em qualquer parte, viver entre paredes construídas com esse material. Pior na Indonésia, um dos pontos do planeta em que repercute com mais força, na forma de terremotos e erupções vulcânicas, o choque colossal entre duas das grandes placas tectônicas do planeta: a Indo-australiana e a Eurasiana.

Diego Mattoso / USP Online
mattoso@usp.br

A transposição das águas do rio São Francisco já começou. Com a obra, o governo federal pretende fornecer água para 12 milhões de pessoas no sertão nordestino. O projeto prevê a construção de dois canais que levarão água aos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A primeira fase das obras deve ser inaugurada em dezembro de 2006 e custará R$ 4,5 bilhões aos cofres públicos.

Segundo a professora Rita de Cássia Ariza da Cruz, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o governo não conseguirá atingir os objetivos previstos apenas com uma obra de engenharia. “O nordeste brasileiro é uma das macro-regiões de maior concentração fundiária. Isto significa que a transposição do rio São Francisco, para beneficiar grande parte da população do semi-árido, só teria sentido se acontecesse junto com uma reforma agrária”.

Imperialismo brasileiro?

Enviado por paulo em Sex, 2006-05-05 19:42.

Por Rui Martins - de Berna, Suíça

Qual teria sido a reação de Manuel Scorza, o escritor peruano autor de Bom Dia aos Defuntos, diante do gesto corajoso do presidente índio boliviano de nacionalizar as empresas estrangeiras que exploram o gás de seu país? Com sangue índio misturado com o dos antigos colonizadores, imagino que Scorza, morto prematuramente em 83, teria dado um grito de Libertad!

E de Guevara, abatido pela CIA na própria Bolívia, como se seu sangue não tivesse sido vertido em vão? Guevara tinha uma visão continental das Américas, tanto quanto Bolívar, e sabia que as fronteiras nada significavam, o importante era acabar com a exploração dos nativos pelos colonizadores.

Guevara sonhava com uma globalização no sentido inverso da aplicada nos nossos dias pelas multinacionais neocapitalistas, para as quais as fronteiras e os países nada significam. Não é preciso ser profeta para saber que o destino da independência dos povos americanos será o de seguir o exemplo europeu com a construção de uma grande União Latino-americana.

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